FANTASMAS
Hoje eu estou me sentindo mal. Tão mal que volto a escrever como um Loser depois de 8 meses. E não é porque tenha me acontecido algo de ruim. Estou me sentido mal por causa dos fantasmas que ainda me perseguem.
As coincidências são tristes. Ou não são coincidências. O fato é que nos últimos dias eu tenho me deparado com meus fantasmas quando apenas alguns segundos de diferença poderiam me poupar de todo esse sofrimento. Assim fico mm sentindo mal, muito mal. Fico assim porque cada vez que o encaro me voltam todas as boas sensações e todas as lembranças que me esoforço tanto para não guardar. Sou obrigado a encarar o meu fracasso e perceber mais uma vez a dimensão enorme da minha perda e quão intangível era o que eu havia conquistado. Olho pro meu fantasma como se ele fizesse parte dos meu sonhos e delírios, como algo inalcançável, ou que ao menos se tornou inalcançável, e ao mesmo tempo percebo de que alguma forma já me pertenceu e já fez parte de mim. Sim, ainda faz parte de mim. Uma parte a qual não tenho mais acesso. Uma parte que tirou de mim o que tu tinha de melhor. Uma parte que ainda me desperta a sensação de completude que se dissipa um segundo depois, quando percebo que hoje tudo não passa de uma lembrança distante e de uma presença constante. Quando vejo o meu fantasma eu tenho vontade de chorar. Chorar como estou chorando neste exato momento. Chorar com sinceridade por não saber como não me apaixonar de novo e cada vez que o encaro. Chorar de dor e de saudade. Chorar pelo fracasso e pelo medo. Chorar pelo desejo que sinto e pela consciência de que o tempo destrói tudo e de que nada se repete e nada retorna ao seu estágio inicial. Choro por saber que meus sentimentos são ancrônicos e incontroláveis.
Sim, o meu fantasma me persegue. Ou será que eu persigo o meu fantasma? Não sei. Sei apenas que a pior forma de amar é amar profunda e irreversvelmente uma assombração.
Escrito por Paul Pfeifer às 14h17
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