“A morte e a vida estão no poder da língua:
o que bem a utiliza come do seu fruto.”
Provérbios 18:21
Conheço muitos dos que aqui escrevem e que daqui lêem, honra que com cuidado prezo. Foi-me insólito aqui chegar: de início confrangido, ádvena lançado neste círculo hermético, acareado e êmulo dos presentes, olhos nos olhos da inquisição, verdades foram instadas, explicações exigidas, revelações lançadas à mesa. Apontado um Loser, subjugado em minha desambientação, acatei atordoado a titulatura. Sem saber aonde seguia, obedeço à indicação de um endereço e — feliz surpresa — percebo-me em lugar que há algum buscava.
Compungido e desnorteado, tento expiação. E eis que me é dado o privilégio da palavra. Como sôo não aproveitar boas oportunidades para calar, pronuncio-me sem pejo ou censura a partir daqui até onde me for permitido. Àqueles desditosos que se derem o trabalho de me ler transmito meu sincero pesar. Abençôo quem partir e desentendo quem voltar, porque sou Loser — hoje o sei — e são pretensas minhas ambições. Meu vezo é almejar a memória e poder apenas o vestígio, o expurgo. Sequer para mau exemplo sirvo: “conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Apocalipse, 3:15-16).
P.S.: desculpo-me pelas remissões repetidas à mesma obra: coincidência, nada mais.
Escrito por Loser Brown às 22h21
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